Abriu uma janela privada e ligou uma VPN. O que mudou realmente? Para responder, convém separar três coisas: o que o navegador guarda no aparelho, o caminho usado pela ligação à Internet e as informações associadas às suas contas. Assim, pode escolher as definições que correspondem ao seu objetivo.
O que faz a navegação privada?
No Chrome, esta função chama-se «navegação anónima». Abre uma sessão separada da navegação habitual. Os cookies necessários ao funcionamento dos sites podem existir durante essa sessão; não desaparecem a cada página que abre. Quando termina a sessão, o navegador remove os respetivos dados temporários e não conserva o histórico das páginas visitadas como numa janela normal. A ajuda do Chrome explica este funcionamento.
Há duas exceções práticas: os ficheiros transferidos e os marcadores criados continuam guardados. Também não deve confundir a abertura de uma janela privada com a eliminação do histórico anterior. A documentação do Firefox distingue estes tipos de dados.
Imagine que procura um presente no computador da família. Uma sessão privada pode ajudar a evitar que essa pesquisa fique no histórico habitual. Mas um orçamento em PDF guardado na pasta Transferências continua a precisar de atenção. É uma diferença concreta entre os dados da sessão e os ficheiros que decidiu conservar.
O que muda quando liga uma VPN?
Uma VPN cria uma ligação encriptada entre o dispositivo e um servidor VPN para o tráfego que encaminha. Os sites alcançados por essa ligação veem normalmente o endereço IP de saída do servidor. Isto também pode reduzir a informação sobre os destinos que fica exposta à rede local.
O fornecedor da VPN passa a ser um intermediário em quem confia. A ligação encriptada não elimina essa relação de confiança nem torna todas as atividades anónimas. O guia da Electronic Frontier Foundation explica o funcionamento e os limites desta proteção.
O HTTPS continua a ter uma função própria: protege a comunicação entre o navegador e o site. O túnel VPN protege o percurso até ao servidor VPN; o HTTPS protege a comunicação até ao site. Mantenha o HTTPS e respeite os avisos de certificado do navegador. A explicação de TLS da MDN descreve esta proteção.
Comparação rápida
A comparação abaixo considera a navegação privada e a função de encaminhamento de uma VPN, sem acrescentar bloqueadores ou outras funcionalidades opcionais.
Histórico desta sessão no navegador. A navegação privada evita conservá-lo, segundo o funcionamento do navegador. Uma VPN não altera essa definição.
Cookies temporários. A navegação privada remove os dessa sessão quando termina. Uma VPN não elimina os cookies do navegador.
Endereço IP apresentado aos sites. A navegação privada, por si só, não o altera. Uma VPN apresenta normalmente outro endereço IP para o tráfego encaminhado.
Ficheiros transferidos. Continuam guardados: nem a navegação privada nem uma VPN os apagam.
Conta em que iniciou sessão. Nenhuma das duas funções impede o site de reconhecer essa conta.
Estas diferenças explicam por que motivo as duas ferramentas podem ser usadas em conjunto. As proteções adicionais contra rastreio dependem do navegador e das definições escolhidas.
Como usar uma VPN com uma janela privada
1. Confirme se utiliza uma aplicação ou uma extensão
Comece por identificar o produto que instalou. Uma extensão pode abranger apenas o tráfego compatível do navegador; uma aplicação pode atuar sobre ligações de outras aplicações, conforme a configuração. Na FuzeVPN, consulte as páginas de aplicações e de funcionalidades para verificar o âmbito documentado da plataforma que utiliza.
2. Ligue a VPN e abra a sessão privada
Confirme o estado da ligação e abra uma janela privada pelo menu do navegador. Faça a verificação na janela onde pretende navegar: a aparência privada, por si só, não confirma que o tráfego está a passar pela VPN. Se utiliza uma extensão, verifique também a autorização descrita no passo seguinte.
3. Verifique a autorização da extensão
No Chrome para computador, abra Extensões → Gerir extensões, escolha a extensão e entre em Detalhes. Verifique a opção Permitir na navegação anónima. A documentação do Chrome sobre extensões apresenta este controlo.
No Firefox, abra o gestor de extensões, selecione a extensão e procure Executar nas janelas privadas. Escolha Permitir se pretende utilizá-la nessa sessão e confia nela. O Firefox não concede esta autorização por predefinição; algumas extensões nem sequer permitem a execução em janelas privadas. Veja a ajuda oficial sobre estas permissões.
Conceda apenas as permissões necessárias às extensões que pretende usar. Se a opção não existir, confirme a compatibilidade na documentação do fornecedor.
4. Teste a janela que vai utilizar
Consulte o endereço IP público numa página de verificação, na própria janela privada, e compare-o com o endereço observado sem a VPN. Uma alteração é um indício útil de que aquela ligação segue outro percurso. Este teste isolado não certifica toda a proteção: não verifica todas as aplicações nem todas as formas de exposição de dados.
5. Termine a sessão corretamente
No Chrome, feche todas as janelas de navegação anónima para terminar a sessão. Fechar apenas um separador pode deixar outras janelas da mesma sessão abertas. Confirme também onde ficaram os ficheiros transferidos.
Porque é que um site continua a reconhecer-me?
Se iniciar sessão no correio eletrónico, numa loja ou numa rede social, o serviço sabe qual é a conta utilizada. Uma janela privada pode separar essa sessão da habitual, mas não impede o site de associar as ações à conta em que acabou de entrar. A Mozilla explica esta distinção.
Há também uma diferença entre histórico local e atividade guardada pelo serviço. Por exemplo, as definições de atividade da Conta Google controlam determinados dados associados à conta. Fechar uma janela privada não equivale a apagar essa atividade. Se o seu objetivo é gerir o que o serviço conserva, consulte as definições da própria conta.
Exemplo: consultar uma segunda conta
Imagine que mantém o correio pessoal aberto na janela habitual e precisa de consultar temporariamente outra conta. Uma sessão privada permite separar esses acessos sem terminar a sessão principal. Dentro da janela privada, confirme o nome ou o endereço da conta antes de enviar uma mensagem. O serviço continua a reconhecer a conta utilizada nessa janela; a separação serve para organizar as sessões no navegador.
Perguntas frequentes
Preciso de usar sempre as duas?
Escolha conforme o objetivo. Para separar temporariamente uma sessão no navegador, a navegação privada pode ser suficiente. Para encaminhar a ligação através de um servidor VPN, precisa dessa função ligada. Usar ambas faz sentido quando pretende combinar estes dois efeitos.
Fico protegido contra páginas falsas?
Nenhuma destas duas funções, por si só, confirma que uma página é legítima. Num ataque de phishing, o utilizador pode entregar os seus dados a um site que imita outro. Verifique o domínio antes de iniciar sessão e mantenha as proteções do navegador ativas. A MDN explica este tipo de ataque.
Qual é a primeira coisa a verificar?
Identifique o que pretende proteger: os dados deixados no aparelho, a ligação à rede ou a atividade associada a uma conta. Depois confirme a ferramenta, a janela e as permissões que está efetivamente a usar.